ESCOLA

A epilepsia
e a escola

29 de Abril de 2020

A epilepsia em idade pediátrica está associada frequentemente a problemas de aprendizagem, psicológicos e comportamentais. Estes problemas variam no tipo e gravidade, desde dificuldades ligeiras até défices específicos de aprendizagem. O mesmo é válido para as alterações comportamentais que podem variar entre quadros de hiperatividade e défice de atenção até quadros mais graves com impulsividade, irritabilidade, ansiedade e depressão. Pode associar-se de forma menos frequente a perturbações do espetro do autismo.

O plano terapêutico da epilepsia em idade pediátrica deve considerar estratégias de intervenção multidisciplinar para prevenção e deteção precoce destas alterações/comorbilidades. Os problemas sociofamiliares são também importantes nestes doentes, destacando-se a superproteção familiar, a baixa autoestima com dificuldades de relacionamento com os colegas, falta de motivação com grande desinteresse pela escola e todo o tipo de atividades circum-escolares.

Quais as principais dificuldades apresentadas pela criança/jovem com Epilepsia?

Estas dificuldades estão relacionadas com a idade do aparecimento da epilepsia e com o tipo de epilepsia. Existem muitas situações em que a epilepsia é um sintoma de uma doença mais grave e complexa. Do ponto de vista cognitivo, as epilepsias em idade pediátrica acompanham-se de dificuldades da linguagem como atraso na sua aquisição, problemas da linguagem expressiva e compreensiva. Também se acompanham de alterações da função executiva como défice de atenção, dificuldades no planeamento das tarefas, dificuldades de memória e pouca flexibilidade cognitiva. Estas dificuldades vão ter implicação direta em todo o processo de aprendizagem nas várias áreas académicas: leitura, escrita e cálculo.

Quais as respostas que a escola prevê para estas crianças?

As ferramentas que a escola tem ao seu dispor estão plasmadas em diversos diplomas legais dos quais se destaca o Decreto-Lei n.º 54//2018, de 06/07, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 116/2019, de 13/09, que estabelece o regime jurídico da educação inclusiva. Embora esta realidade legislativa afaste a conceção de que é necessário categorizar para intervir, pretendese que o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória seja atingido por todos. Para isso, a progressão no currículo faz-se através de medidas de apoio à aprendizagem e à inclusão, organizadas em diferentes níveis de intervenção (Universais, Seletivas e Adicionais) de acordo com as respostas educativas necessárias caso a caso, podendo, ainda, socorrer-se, nomeadamente, de percursos diferenciados.

medidas de suporte
à aprendizagem e à inclusão

(Decreto-Lei nº54/2018, DE 06/07 com as alterações introduzidas pela Lei nº 116/2019, de 13/09)

Universais

➜ Diferenciação pedagógica
➜ Acomodações curriculares
➜ Enriquecimento curricular
➜ Promoção do comportamento pró-social
➜ Intervenção com foco académico ou comportamental em pequenos grupos

Selectivas

Percursos curriculares diferenciados
➜ Adaptações curriculares não significativas
➜ Apoio psicopedagógico
➜ Antecipação e o reforço das aprendizagens
➜ Apoio tutorial

Adicionais

Frequência do ano de escolaridade por disciplinas
➜ Adaptações curriculares significativas
➜ Plano individual de transição desenvolvimento de metodologia e estratégias de ensino estruturado
➜ Desenvolvimento de competências de autonomia pessoal e social

Quais as principais preocupações dos professores?

1) Correta atuação durante uma crise epilética: www.epilepsia.pt/Imgs/ajudar-e-no-discriminar—crises.pdf

2) Correta e atempada informação dos pais e cuidadores sobre possíveis crises ocorridas na escola, a partir da descrição ou vídeo do fenómeno observado.

3) Integração da criança epilética na sala de aula/escola – posição do aluno na organização da sala – o mais próximo possível do professor, para que este se aperceba de qualquer alteração que possa surgir. Combater a dificuldade de integração da criança no grupo transmitindo ao grupo a verdadeira situação de saúde desta criança desmistificando e antecipando possíveis situações com estratégias de discriminação positiva. 4) Participação na vida escolar – a escola dispõe de recursos para a motivação de todos os alunos. As crianças com epilepsia devem ser encorajadas a participar ativamente em todas as atividades nomeadamente educação física, visitas de estudo, uso de equipamento informático e piscina. Para isso é necessário identificar e adaptar estratégias para cada criança, dispondo de informação dos pais e cuidadores sobre possíveis restrições.

Papel do Professor

Traçar estratégias numa lógica de desenho universal para a aprendizagem

– Abordagem multissensorial;
– Reforço positivo;
– Promoção da autonomia e automonotorização;

A intervenção deverá ser planeada, realizada e avaliada quando necessário, em articulação com a família e a equipa clínica que segue a criança. Epilepsia é mais do que ter crisesntificar e adaptar estratégias para cada criança, dispondo de informação dos pais e cuidadores sobre possíveis restrições.

Epilepsia é mais do que ter crises